quinta-feira, agosto 31, 2006

Elogio Fúnebre à praia da minha consolação e aquela outra coisa que às vezes se diz sentir por outra pessoa

Meio rosé, uma posta de cherne, daquele do lombo, e o silêncio das horas vagas.

É pôr-do-sol e a maré baixa vai descobrindo as pegadas dos banhistas, afoitos, à procura de um sentido no fim do dia de praia.

O livro acompanha mas não fala, ouve. Juntos, olhamos o mar e desejamos aquela brisa que desorganiza as páginas.



quarta-feira, agosto 09, 2006

Diários de Agosto

Este ano decidi não ter férias. Tinha planeado Agosto em Lisboa, de forma a avançar definitivamente com a tese de mestrado. Não foi uma decisão fácil, mas até surgiu de modo bastante natural. A recompensa de férias futuras, de preferência no hemisfério que tenha Verão, confortavam-me os pensamentos já virados para pés molhados e bebidas bem geladas. Mas é o que temos e, se o posso dizer, Lisboa até é uma cidade muito divertida em Agosto.

O destino muitas vezes arranja forma de nos surpreender. Tudo mudou quando, esta segunda-feira. soube da extensão do prazo de entrega da dissertação, fazendo ruir todos os meus planos de isolamento e trabalho casto. A derrocada começou exactamente ontem...

Serve este pequeno desabafo para contar uma história.

Com este calor ninguém consegue dormir. Lisboa sempre foi uma cidade escaldante no verão embora a sua característica brisa consiga disfarçar o calor que durante todo o dia se embrenha nas paredes das casas. Mas quando o vento não sopra, só uma imperial bem gelada pode ajudar a embalar o sono. E foi exactamente isso que fiz.

No sítio do costume, com um constante vai e vem de amigos que não sabia na cidade, dei por mim numa animada conversa com uma americana. Aparentava ter 23 ou 24 anos, loira, atraente, e uma fervorosa adepta dos Wildcats da Universidade do Arizona. Para além da idade, aquilo que tinhamos em comum era a ciência política. Estava perante uma ilustre colega norte-americana.

A conversa até começou bem. Depois vieram as curriqueiras comparações europa, america, trá-lá-lá. Tudo na mesma. Jasmine, uma votante (notem, é diferente de apoiante) de George Bush e membro do Partido Republicano, achava que não deviam haver hospitais públicos. O seu namorado espanhol, o pobre António, fora, uma vez, numa aflição à procura de médico num hospital de granada. Ai, um erro no diagnóstico da maleita do pobre António, atiçou de tal maneira a raiva da nossa amiga norte-americana que mais nenhum hospital comunitário deveria existir. E foi aqui que começou a parte interessante...

Claro que toda esta argumentação nos levou para o conflito entre ricos e pobres, excluídos e desempregados. Jasmine, produto da classe média alta norte-americana, tinha neste ponto uma perspectiva muito interessante. Nas suas palavras: Natural Selection. Darwin, dizia ela, há muito que provou que só os mais fortes sobrevivem. E na vida, quem é forte fica rico, quem não é...Natural Selection.

segunda-feira, julho 17, 2006

E tu? Já acordaste a desejar ser uma pessoa completamente diferente?!?



Cuidado...O remorso mata!

sexta-feira, junho 23, 2006

O fim de uma era...

(Salão de jogos Monumental)

Adeus velho amigo
que em silêncio me viste crescer.

domingo, junho 18, 2006

Desabafo desesperado


It's the economy, stupid!

terça-feira, junho 13, 2006

Sentimental

Sentimental, sentimental
Um coração saliente
Bate e bate muito mais que sente
Fica doente mas é natural, natural
Que num cochilo de agosto
Surja um outro alguém do sexo oposto
Do sexo oposto outro outro alguém
Ontem vi tudo acabado
Meu céu desastrado
Medo, solidão, ciúme
Hoje contei as estrelas
E a vida parece um filme
Gemini, gemini, geminiano
Este ano vai ser o seu ano
Ou se não, o destino não quis

Ah, eu ei de ser
Terei de ser
Serei feliz
Serei feliz, feliz
Chico Buarque

Terrivelmente lamechas que mas que dizer? É apenas a birthday mood...

sexta-feira, junho 09, 2006

Quadra de Santos Populares



Ó meu rico Santo António,
Ó meu caro S.João,
Não há coisa que eu mais odeie
Que uma constipação de Verão!

terça-feira, maio 30, 2006

A Dúvida

Depois da espera, que ainda continua, surgiu a dúvida.
Há cerca de dois meses concorri à primeira fase dos exames de acesso à carreira diplomática. Uma prova de português e outra de inglês foi o suficiente para reprovar a maioria dos candidatos. Dos cerca de 1700 ficaram 312 e, para minha grande surpresa, fui um dos aprovados.

Com o ego reforçado por ter passado as provas, estou agora indeciso em relação ao que fazer.
Se tempos houve em que encontrava algum romantismo na diplomacia (provavelmente influências queirosianas), a verdade é que, hoje em dia, não lhe encontro grandes diferenças para o mero funcionalismo público. E convenhamos que nem ao pior inimigo se deseja uma carreira na função pública!

Durão BarrosoA prova de que em diplomacia podem começar brilhantes carreiras

A próxima fase de exames acontece no dia 24 de Junho e consiste numa avaliação psicológica e de conhecimentos nas áreas de direito internacional, economia e história diplomática. Desta vez, se quiser passar tenho mesmo de estudar. O problema é que não tenho a certeza se quero correr o risco de ficar ou de estudar para depois reprovar. Estou completamente dividido.

Por isto e porque este blog é interactivo, decidi pedir ajuda ao meu oráculo, ou seja, vocês. Peço-vos que votem e me ajudem neste momento de dúvida.

O que fazer?
Estudar e fazer os exames
Não estudar e fazer os exames
Não fazer os exames
Ir ao exame insultar todos os tachistas que lá vão estar
Arranjar alguém para fazer os exames por mim
Fazer uma ameaça de bomba para ter mais tempo para estudar
Resignar-me e procurar um call-center onde realmente pertença
Começar a ganhar juízo e tirar o curso de medicina que a minha mãe tanto queria!
Free polls from Pollhost.com


Obrigado por terem vindo!

domingo, maio 21, 2006

A espera...


Novidades talvez para breve.

segunda-feira, abril 17, 2006

Os dias da rádio

A rádio tem perdido qualidades. Se alguns projectos interessantes têm aparecido nos últimos tempos, a verdade é que pouco depois tornam-se em mais uma estação de playlists. E não há nada mais aborrecido do que saber qual é a próxima música a passar. A imprevisibilidade e a surpresa que os programas de autor nos reservavam parece perdida. Tudo se resume às negociatas entre as editoras e os grandes grupos da comunicação. Até aquela castiça rádio local que, sempre à volta da canção portuguesa era uma alternativa aos formatos jovem, notícias ou nostalgia, vai perdendo a sua identidade.


No entanto, as inovações tecnológicas vieram baralhar esta uniformização. O podcast ameaça fazer com que a rádio seja cada vez mais pessoal e específica. Não desfazendo, parte do gozo de ouvir rádio é saber da sua disponibilidade ilimitada, à espera de um qualquer transistor mais maroto. As web rádios são um desafio ainda maior. Incríveis em quantidade mas parcas na qualidade, são uma forma muito simples de criar um projecto alternativo.

A resonance fm apresenta-se como a primeira art radio londrina. Emitindo também em frequência, a sua programação consiste em sessões de poesia, programas de humor, música ao vivo e outro tipo de acções de divulgação do trabalho dos mais variados artistas. Dinamizada por um colectivo de músicos amantes da música contemporânea, é um conceito a ter em atenção. E, quem sabe, a procurar implementar...

quarta-feira, abril 12, 2006

Para quem se interessa pelas origens da música a Soul Jazz Records lança mais uma pérola. Indo, de novo, bem ao centro de Nova Iorque, o Hip Hop aparece como a criação livre, liberta de todos os demais batidos preconceitos. A inspiração vem dos estúdios de Kingston, envolvidos na instabilidade política que assolou a Jamaica no final dos anos 70. O Hip Hop surge de forma inovadora, insistindo no cut&paste e na cultura da festa de rua, block party's e sound systems. A capacidade aglutinadora da big apple, mais exactamente do Bronx, tratou do resto.

O conteúdo mais politizado aparece numa fase posterior. Não desfazendo a sua importância, também importa conhecer o hip hop num estádio original, de pura diversão. O mais engraçado é descobrir as continuidades, as interligações entre passado, presente e futuro que tornam constantes a influência da música na vida das pessoas. E o hip hop, quer se queira quer não, já ganhou o seu lugar na história.

segunda-feira, abril 03, 2006

quinta-feira, março 30, 2006

Pillow Fight

Meus amigos e minhas amigas,
este sábado dia 1 de Abril, Lisboa vai assistir a uma pillow fight!

A flash mob volta a atacar no Rossio, entre as 15h e as 15h10.


Não cheguem atrasados e se conhecerem alguém que mereça umas boas almofadadas tragam-no também. Mas não se entusiasmem demasiado. Aqui vão algumas regras do Pillow Fight Club de Londres:


1.You do tell everyone about PillowFight Club.
2.You do tell everyone about PillowFight Club.
3.If someone whines or has no pillow, you cannot hit them.
4.Everyone joins in the fight.
5.The one fight starts at the designated time - No earlier.
6.No tar, no heavy things in pillows.
7.PillowFights will go on until they're done.
8.If this is your first night at PillowFight Club, you have to get feathered.

quinta-feira, março 23, 2006

Advertência


outros tempos

terça-feira, março 21, 2006

Com três letrinhas apenas se escreve a palavra mãe

Mãe! Mãe!
O meu coração ainda batia quando me mandaram para dentro daquele balde ensanguentado.
E o meu pequeno corpo, com as pernas partidas, lá ficou a arrefecer.
Martim d'Athaíde
Por favor, leiam o resto

segunda-feira, março 20, 2006

Caixa de Pandora

Em quem acreditar?



Jalal Talabani (Presidente do Iraque) rejeitou ontem que o Iraque esteja a viver uma guerra civil, mas admitiu que ficou perto disso com o ataque de 22 de Fevereiro contra uma mesquita xiita em Samarra.









Iyad Allawi (Líder do primeiro governo de transição iraquiano) - Perdemos todos os dias em média 50 a 60 pessoas em todo o país, se não mais - se isto não é uma guerra civil, então Deus sabe o que é uma guerra civil









Definitivamente, ninguém sabe muito bem o que se passa no Iraque. Apenas os soundbytes diários que nos dão conta de atentados sem fim. Vítimas lembradas durante 30 segundos para serem rapidamente esquecidas. Pessoas sem cara, sem família, sem escolha...
Todos os conceitos, pomposamente relembrados pelos americanos, da infalibilidade do Nation Building vão falhando. As constantes referências ao sucesso alemão e japonês já não pegam. O Iraque não é, nem nunca foi um país homogéneo. A identidade nacional foi construída sobre a repartição dos dividendos de um estado centralizado e dominado, como se sabe, pela minoria sunita. Dada a oportunidade, outras comunidades tentam agora alcançar o que a história lhes foi negando, com óbvio destaque para os curdos. Só os muito ingénuos ou obcecados podiam pensar numa rápida instituição de lei e ordem pelas mãos de uma potência invasora.

No entanto, para alguns isto não é suficiente. José Manuel Fernandes escreve hoje um artigo no Público onde diz que já se enganou, que se engana e que se pode vir a enganar a qualquer momento. Mas no que toca ao Iraque: não senhor! Todos ainda nos lembramos daquele texto emocionado onde o director do Público chorava ao ver a estátua de Saddam Hussein por terra.
Parece ser uma pessoa de lágrima fácil mas só quando gigantes com pés de barro são derrubados: "Se os erros cometidos no pós-invasão mostram incompetência e impreparação, não mostram que a intervenção não devia ter ocorrido.". Nem mais caro senhor Fernandes: ó vai, ó racha. Vamos pedir mais um pouco de paciência aos que sofreram os abusos de Abu Ghraib, os que todos dias perdem o direito à vida e à grande maioria de iraquianos moderados que, todos os dias, veêm chegar legiões de mártires dispostos a tornar a sua vida num inferno.


segunda-feira, março 13, 2006

Lentamente, o fumo vai adormecendo o espírito no calor tépido e dissolvente. As qualidades fortes, a energia, a vontade, dissipam-se, esvaem-se numa sonolência doce. Cai-se naquele estado que os árabes chamam kief. É uma espécie de desmaio vivo: a vida torna-se passiva, quase vegetal.

O Egipto in Obras de Eça de Queiroz

Eça de Queiroz descrevendo a sua experiência com haxixe na cidade de Alexandria. Faz todo o sentido para quem acabou de ler o Quarteto de Alexandria e começa a biografia do Eça.

sexta-feira, março 10, 2006